terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Cáp. 19

Ben não conseguia compreender. O que levara Joe a beber tanto? A garota não era manipulável, com certeza existiu algum incentivo pra que ela agisse dessa forma.
Seja lá com quem estavam lidando, a pessoa estava bem informada.
Revirou a casa e não achou nenhum sinal da garota, porém, quando estava saindo novamente, deu de cara com Mel.
Ben abraçou a irmã que não via fazia um dia e se surpreendeu ao ver que ela chorava.
- O que aconteceu, Mel? Por onde você esteve?
- Fiz uma grande besteira, Ben...
Mel contou o que estivera fazendo desde o seu sumiço.
- Eu não acredito, Mel... Porque fez isso?
- Aquela garota estava estragando sua vida! Não queria perder mais ninguém da família! E se era ela ou você eu preferia você, claro! – Ela soluçou.- Mas eles não cumpriram com o trato... Assim que Calvin chegou com a sapa me jogaram na rua e falaram que você era o próximo e que ela era só isca.
Ben parou por um momento, tentando assimilar tudo que aconteceu. Por um momento, desejou acordar e descobrir que era tudo um pesadelo terrível. Mas precisava agir.
- Mel, então você sabe onde eles estão, certo?
- Sei sim...
- Então corra na taberna e chame a Gigi aqui, rápido! Se não te deixarem entrar peça pra que alguém a chame, mas seja rápida!
Mel saiu correndo em direção a taberna, enquanto isso Ben guardou consigo a maior quantidade de armas que achou, colocou a sela em seu cavalo e tentou colocar a sela em Franja, sem muito sucesso.
Ele ainda tentava ajeitar Franja quando Mel e Gigi chegaram.
- Oh, mon amour, por que o privilégio deste convite?
- Vou precisar de você, Gigi... Talvez essa sua capacidade de... Anh... Conquistar os homens me seja útil. Topa?
- U-lá-lá! Onde eu subo?
- Bom, eu estava pensando em você e a Mel irem no meu cavalo e eu na Franja... Mas a Franja não me aceita.
Nisso, Mel deu um passo pra frente e fez carinho em Franja. Os olhos da menina brilharam e ela sorriu.
Segundos depois Mel estava montada em Franja e Gigi e Ben no cavalo deste. Iam na maior velocidade que podiam em direção ao esconderijo dos bandidos.
Pararam um pouco antes de chegarem no lugar desejado para passar o plano.

Cáp. 18

Joe olhou rapidamente pra porta, achando que veria os bandidos, mas não viu ninguém menos que Ben Goldy, que parece não ter visto a moça.
“O que Ben está fazendo aqui?”
O rapaz não olhou para ninguém na taberna e andou em direção a dançarina francesa. Abraçou ela como se fossem velhos amigos. Joe achou a cena nojenta e pediu a bebida mais forte que o barman tinha, que até os bêbados evitavam tomar, a “diabo no paraíso”.
Ben não reparou que Joe estava na taberna durante a tarde inteira. Depois da quarta dose da “diabo no paraíso”, quantidade que nenhum outro homem havia tomado naquele bar, ela foi cambaleante pra saída da taberna.
“Tenho que ir pra casa...”.
A garota estava tropeçando nas palavras e seus reflexos estavam nulos.
Quando ela estava passando pela porta da taberna, Ben a avistou. Com uma rápida olhada ele percebeu que ela havia bebido. Mas a Joe era forte, quanto ela teria bebido pra chegar nesse ponto?
O que ele não viu é que assim que Joe pisou na rua, Calvin amarrou ela, jogou ela em cima do cavalo e foi com a garota pra casa.
Enquanto isso, Ben se soltou da francesa Gigi e foi falar com o barman. Na realidade ele levou o barman pra um canto, sacou a pistola e perguntou pra ele o que ele havia dado para a garota com roupas de cowboy.
- Entreguei a ela apenas o que ela pediu, juro, senhor!
- E o que ela pediu? – A pistola estava cada vez mais assustadora pro barman.
- A g-garota bebeu quatro “diabo no paraíso”.
A fúria de Ben cresceu de um modo assustador. Se ele não precisasse de mais informações do barman, era capaz de mata-lo naquele instante.
- Porque embebedou a garota?
- E-ela que pediu, juro!
- Amigo... Eu estou armado e muito irritado. Não é prudente mentir pra mim.
- C-certo, senhor... Me pagaram pra embebedar a tal “Joe” para ajudar em um seqüestro.
- Seqüestro? Quando?
O barman riu, deixando a mostra seus dentes podres, se contasse a resposta, Ben mataria ele de qualquer forma, queria ter o gostinho de morrer mas ferrar alguém.
- Te encontro no inferno. – O tiro perfurou a nuca do velho.

Ben correu pra casa, esperando encontrar Joe lá. Se Joe estivesse normal seria muito difícil de ser seqüestrada. Mas, bêbada, ela não era ninguém.

Cáp. 17

- Bom dia. – Ela disse, logo antes de soltar um bocejo e recomeçar a tremer. Ben apenas soltou um resmungo, o rapaz estava olhando pro nada. O jeito relaxado dele não era visível.
- Onde está a morcega... Digo, a Mel?
- Não sei. – A voz dele foi fria. Joe desistiu de tentar conversar com ele. Porque Ben estava assim?
Ela levantou, pegou seu chapéu e sua espada e se dirigiu a porta.
- Estou saindo. Obrigada pela casa, Ben. – Ela deu um último olhar triste ao rapaz, que não respondeu, e saiu cidade afora, o chapéu pendurado pra trás, com a corda no pescoço. A chuva estava muito forte, mas ela não se importou, iria achar os assassinos do pai. Já estava muito atrasada.
E que lugar melhor pra achar assassinos do que a taberna? Foi pra lá que Joe se dirigiu.
Como sempre a taberna estava cheia. Em dia de chuva ou sol os bêbados e as prostitutas iam pra taberna. Joe invejava a disposição dos moradores de Elpah.
Assim que entrou na taberna, uma dançarina loira, com o cabelo armado e o vestido amarelo todo emperiquitado, veio em sua direção.
- Oh, mon cherry... Peço desculpas, mas não é permitida a entrada de mulheres aqui... – Ela olhou Joe de cima a baixo, falando sempre em tom de deboche. – Mesmo mulheres vestidas de homem.
Joe ergueu uma sobrancelha e sua mão dirigiu lentamente até sua espada, o olhar da dançarina acompanhando.
- Você vai descobrir que é permitido sim. – Joe sorriu. A dançarina fez uma cara feia e voltou a servir os homens.
Joe foi andando em direção ao balcão, sentou-se, colocou uma moeda de ouro na mesa e pediu uma bebida. Quando o barman a serviu (com uma certa curiosidade), ela o puxou para um canto e tentou colher umas informações.
Depois de um tempo de conversa, Joe ficou radiante em descobrir que suas vítimas estavam em Elpah, escondidos em algum lugar por aí. Também descobriu que eles vinham constantemente pra taberna, então era possível que hoje mesmo ela conseguisse vingar o pai e ir viver sua vida.
O que Joe não sabia é que ela estava em desvantagem de informações. Mel havia alertado Bóris e Calvin de tudo e eles estavam preparados pra Joe. Mas a garota pouco sabia dos bandidos.
Passou algum tempo na taberna apenas olhando sua população e encarando a tal dançarina francesa, que volta e meia olhava pra ela e ria, até que a porta da taberna abriu.

Cáp. 16

Por muito tempo essa tática deu certo, mas agora tudo foi por água abaixo, e tudo por causa daquela garota intrometida.
Agora Ben precisava se preocupar com Bóris, Calvin e ainda Joe. Só que Joe também quer matar Bóris e Calvin. E alguém teria que matar Joe!
“Meu irmão nunca iria matar aquela magricela. Está na cara que ele gosta dela, apesar de que nem ele percebeu isso ainda”.
E então ela teve a brilhante idéia. Era madrugada e estava chovendo, mas ela não se importava. Sabia onde encontrar salvação.

Parou em frente à porta desejada. Quando se é garota de rua você sabe de coisas que nem mesmo as pessoas importantes sabem. Bateu na porta, sem resposta. A chuva estava aumentando, ela bateu na porta de novo, uma voz veio de lá dentro.
- Quem está aí? – A voz era ríspida e rouca.
- Sou a irmã de Ben Harper. – Ela disse, decidida. Estava com medo, mas queria salvar o irmão e faria tudo o que fosse possível.
A porta se abriu com um estrondo e ela logo viu Bóris em sua frente. Ele puxou a garota pra dentro da casa, mas sem ser brutal.
- E então... O que a irmã do nosso querido Ben Harper faz em uma noite chuvosa por aqui? – Ele perguntou, com o tom de voz mais suave que conseguia.
- Vim fazer um acordo.
Calvin, que estava polindo sua espada no quarto, se aproximou curioso.
- Um acorrdo? Há! Temos aqui uma garrotinha esperrta, non? – Seu sotaque carregado lhe era característico. – O que querr negociarr?
- Quero que deixem meu irmão em paz. – Ela olhou fixamente pra Bóris, tentando não tremer. Ele começou a rir.
- Ora, essa é uma exigência muito cara, garota. O que tem em troca da vida do seu irmão?
- A filha do xerife Saff Morgan. – Ela deu um sorriso ao ver que a espada de Calvin caiu no chão. O acordo estava feito.

Joe acordou com um trovão. Já estava clareando o dia, ou pelo menos era pra estar, caso o céu não estivesse repleto de nuvens negras. Levantou-se.
Estava tremendo de frio, já que suas roupas foram preparadas para o calor do deserto, não para as chuvas de Elpah.
Pelo menos o ferimento em seu braço estava, finalmente, curado.
Foi pra sala e encontrou Ben sentado em uma cadeira, sentou-se do lado dele.

Cáp. 15

- E-então ela é uma espiã, certo? Ela se aproximou de você pro pai dela te prender, não é, Ben?
- Não, Mel, me escute... Ela está aqui pra vingar o pai dela. Eu não sabia quem era o pai dela até ontem, mas então vi o chapéu dela, que por acaso pertenceu ao pai.
- Tá, mas quem é o pai dela? – Mel perguntou, o medo estampado no seu rosto.
Ben esperou uns segundos pra responder, então baixou o rosto, encarando o chão, antes de responder.
- Saff Morgan.
Mel arregalou os olhos e saiu correndo, ao mesmo tempo em que começava a chover na pequena e movimentada cidade de Elpah.

A chuva molhava as Marias-chiquinhas ruivas de Mel ao mesmo tempo em que as lágrimas molhavam seu rosto.
A garota correu em meio à chuva até não poder mais avistar a própria casa. Não sabia pra onde ir, mas não queria voltar e encarar a verdade. Sentou-se em um pedaço de madeira no chão enlameado.
Perdeu o pai, a mãe... Agora iria também perder a única pessoa que restava.
Ben havia sumido por anos, sempre escapando da garra dos antigos companheiros por um fio.
Ela se lembra bem. Tinha apenas cinco anos quando aconteceu. Estava deitada em seu quarto quando ouviu os gritos.
Depois da morte dos três xerifes mais famosos do Faroeste, Ben não queria mais viver como assassino. Depois que perdeu os pais em um acidente de trem, ele passou a pensar como a família dos xerifes deveria se sentir a cada morte. Mas sair de um grupo de assassinos não é tão fácil quanto entrar. Ele havia levado seus companheiros, Bóris e Calvin, a sua casa para comunicar a sua decisão.
Mel lembra de ter sentido um calafrio quando o irmão contou-lhe da decisão que iria tomar. A garota tinha medo dos companheiros do irmão. Mas não era pra menos. Bóris era um homem de sobrancelhas cerradas, cabelo curto e negro e olhos penetrantes. Ele tinha uma capacidade de enganar incrível. Calvin era loiro, de olhos azuis e sotaque carregado. Calvin era bom com armas.
Ela estava dormindo quando Ben contou aos companheiros sua decisão, mas acordou com os gritos raivosos de Bóris e com os tiros pro alto que Calvin deu.
A partir daquele dia eles juraram que se Ben não voltasse atrás com a idéia absurda de sair do grupo, eles iriam até o fim do mundo para matá-lo.
No dia seguinte Ben fugiu. Passou anos fora de Elpah para que eles não fossem atrás de Mel e de seus amigos.

Cáp 14.

Joe passou horas tentando arrumar um modo de sair da casa. Xingou Ben internamente o dia inteiro. Eles estavam de palhaçada com ela, só podia ser isso! Primeiro ter a bolsa roubada por uma pirralha que achava que Joe iria roubar o irmão pra sempre, depois ser trancafiada dentro de uma casa por um ladrão, sendo que tinha muito que fazer.
Sentou-se em posição de índio no meio da sala, emburrada. Ficou uns minutos pensando e resolveu ir dormir. Não tinha mais o que fazer, não adiantava ficar acordada a noite inteira esperando o traidor do Ben. Deitou-se e dormiu em menos de cinco minutos.
Era mais de duas da manhã quando Ben destrancou a casa, silenciosamente. Para o rapaz que havia saído animado da casa, ele estava com uma expressão muito preocupada. Dirigiu-se a um móvel da sala, abaixou-se e tirou dele uma caixa.
Sentou-se ao lado da caixa e começou a tirar um monte de objetos dela. Em poucos segundos o chão perto dele estava repleto de armas, fotografias antigas, manuscritos velhos, entre outros objetos.
Do fundo da caixa Ben tirou um pacote bem embrulhado, porém coberto de pó. Não mexia naquela caixa desde que saiu de Elpah.
Ouviu um barulho. Correu para a porta da casa, com armas em mão, pra ver o que estava acontecendo. Suspirou quando viu que era apenas Mel, que tinha voltado pra casa cheia de moedas de ouro.
- Porque você ainda está acordado, Ben? – Mel perguntou, franzindo as sobrancelhas.
Então Mel colocou a cabeça pra dentro da casa e viu tudo espalhado no chão. Imediatamente a garota começou a chorar.
- Oh, Ben! Você me prometeu que nunca mais iria abrir essa caixa! Você me disse que estava arrependido, Ben! Você prometeu!
- Psiu, quieta, Mel! – Ben tapou a boca da criança, delicadamente, e a levou pra dentro da sala. As lágrimas ainda corriam soltas pelo rosto da ruiva, mas ela estava mais controlada.
- Ben, você prometeu... – Ela soluçou.
- Eu sei, Mel, mas escute... Eu não estaria vendo tudo isso de novo se não fosse necessário!
- Mas porque é necessário? O que tá acontecendo?
- Mel... Eles me acharam. – Ele deu um longo suspiro, ao mesmo tempo em que a menina soltava uma exclamação de desespero. As lágrimas caiam com mais intensidade pelo rosto dela.
- M-mas como? Você passou anos fora, Ben! Eles nem sabiam se você estava vivo! Como te acharam? É impossível, Ben!
Ben estava ajeitando os pensamentos em sua cabeça. Como contar a uma criança sem que ela saísse gritando por aí?
- Mel... Essa garota que está aqui em casa, a Joe... Ela é filha de um xerife.
Mel tapou a boca com as mãos, seus olhos arregalados.

Cáp. 13

- Muito bem... Alguma das senhoritas pode me explicar o que aconteceu por aqui?
- Fui dar um passeio e quando voltei essa endiabrada tava roubando minha bolsa. – Joe ainda estava muito irritada. Odiava que encostassem em sua bolsa. Todo o dinheiro que arrecadou por anos estava lá, inclusive os cartazes com a foto dos assassinos do pai. Mel apenas abaixou a cabeça, brava. – Posso matar ela agora ou tenho que esperar você permitir, mestre?
- Você não vai encostar em mim porque o Ben vai acabar com você! – Mel ria, satisfeita. Tinha um guarda-costas, pra quê se preocupar com uma garota?
- Oh, claro. É agora que eu devo ter medo, pirralha?
- Se tem amor a vida, bruxa, sim!
Ben se levantou, autoritário. Elas estavam cansando ele, que virou a noite na taberna resolvendo uns negócios e reencontrando uns amigos.
- Chega, vocês duas. Joe, essa garota é a minha irmã mais nova, pelo amor de Deus, tente manter a harmonia com ela... – Joe arregalou os olhos à medida que Ben falava. Irmã? O forasteiro nunca tinha falado de família. – E Mel, a Joe é uma amiga que vai ficar aqui por uns dias.
- Ela não quer ser só sua amiga! – Mel reclamou, indignada. Joe, que ainda estava em choque com a idéia do ladrão solitário ter família, engasgou, ao mesmo tempo em que ergueu a cabeça rapidamente, a face totalmente vermelha. Que idéia absurda, a dessa garota! Ben riu.
- Com certeza ela não quer ser só minha amiga. Com certeza ela ficaria muito mais feliz sendo minha assassina. – Ele foi andando até a porta. – Agora, se me permitem, tenho uns negócios para resolver. Mel, venha comigo, por favor.
A ruiva se levantou e saiu da casa sem olhar pra Joe, que revirou os olhos.
- E eu vou dar uma saída e ver se descubro umas coisas. - A garota se levantou e fez menção de sair.
- Joe, quero te pedir desculpas...
- Pelo quê? – Ela ergueu uma sobrancelha.
- Por isto. – O rapaz fechou a porta na cara da garota, trancando-a dentro de casa. Podia ouvir ela esmurrando a porta com o braço bom. – Você não pode sair, seu braço está muito ruim! Desculpa, Joe... Volto mais tarde.